Vou te contar, hein? Às vezes eu penso que é coisa de poeta, músico, publicitário.
Sabe? Essa coisa de ir ao mercado e encontrar o grande amor da sua vida quando os dois estiverem procurando o mesmo tempero ou escolhendo a mesma massa pro bolo. É claro que o produto será sempre o último da gôndola e um dos dois hesitará e deixará o outro pegar, criando aquela cena do “Pode pegar”. Troca de olhares, palavras, risadas, conformismo, adeus. E é o suficiente pra que confetes explodam dentro de ambos os corações e os próximos encontros não programados comecem a acontecer. Na rua, na farmácia, na universidade, vida afora e no pensamento.
Ou talvez você esteja no show do Daft Punk e se depare com uma pessoa linda em todos os sentidos que conseguir sentir no meio daquela multidão. Ela estará dançando “Around the world”, trilha sonora de suas infâncias, alopradamente, assim como você. Um perceberá o olhar do outro e os dois se sentirão acanhados, trocando a faixa por um balançar de corpo bem tímido e intercalado por olhadelas. É possível que o álcool auxilie o desenrolar dessa história, mas isso não tem a mínima importância. Afinal, a percepção inicial do outro já foi o suficiente.
E isso tudo basta. E a pessoa que correspondeu o seu olhar será sempre bonita, cheirosa e inteligente. E um milhão de coisas coincidirão em suas vidas ou, simplesmente, um se tornará fã do outro por ser como é. Ele completará os seus sorrisos, ela as suas piadas, ele os seus abraços, ela os seus bilhetes, ele as suas vontades… Bom, eles se completarão. Mas e aí?
E aí você fica parado na frente do computador comendo pipoca, tomando sorvete ou Coca e pensando em como seria bom se isso acontecesse contigo, ao mesmo tempo em que joga a realidade na sua cara e a esfrega com força. Isso é coisa de propaganda, roteiro de filme, letra de música. Não acontece. Não comigo. Até que acontece.
E aquele carinha do quiosque que você nunca percebeu vira o seu melhor amigo, sua melhor amiga vira o seu grande amor. E a reviravolta na sua vida começa. E o melhor é que nada é perfeito. E a coisa mais legal de todas é que, se isso for uma novela, os figurantes serão os outros.
E essa será mais uma história pro mundo se espelhar. Pro mundo saber que acontece. Pro mundo saber de nós.